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Separando o joio do trigo no D&D4e

Depois de muito ler e jogar D&D4e eu entendo e sou simpatizante até de algumas reclamações mais comuns da nova versão do D&D4e.

Algo que nunca me chamou a atenção no D&D em geral foi a mistura entre regras e cenários. Sendo um fã do Sistema GURPS sempre tento entender os sistemas de RPG sem ter o cenário como catalisador para as regras, e ao meu ver, o D&D consegue ter ambos conceitos separados.

Isso claro não é válido para qualquer sistema de jogo, veja por exemplo, um caso simples como o Castle Falkenstein, cujo sistema é inteiramente integrado e por diversas vezes necessário devido à ambientação, até o pesado Unknown Armies, onde a manpulação dos eventos místicos permite a inversão de algarismos de um d100 até o conceito de “hunch” que permite você saber o resultado do seu próximo teste de perícias.

Mas colocando em check o D&D4e Vejo que muitos não simpatizaram com o  conceito de Roles, nem o novo esquema de Powers

A principio vejo o conceito de Roles uma evolução natural. Não necessária, mas natural, definindo ainda mais o papel das classes. O jogo nas outras edições eram baseados em Roles por mais que você ache que não. Tinha o Mago que fazia as vezes pesquisador, o cara inteligente que sabia alguma informação a mais, e geralemente usava suas magias de área pois eram as mais poderosas, ou o próprio Ladino que tinha caracteristicas distintas, como assassinato (Striker) ou Bardo (Leader).

Algo que não me chama muito a atenção nesse novo sistema é forçar o Role para cada classe. Por que não fazer um Guerreiro especialista em dano ? Ou um Ranger cujo ataques servem mais para debilitar grupos do que causar dano ?

A resposta é simples, por que os Powers de cada classe já estão definidos e servem para cuidar do Role específico daquela classe!

Perai então ? Os Powers definem o Role e não a Classe ? Exato! Claro que as Features das classes são especificas ao Role também, mas no geral as Classes são apenas nomes. Mudar os nomes das classes não ficaria legal, afinal um Paladino (Defender) usando um Diabolic Grasp Arcano (Infernal Warlock, Striker) soaria estranho.

Então que tal limparmos tudo, deixarmos apenas o que interessa, em prol do equilibrio existente e determinado pelo pessoal da Wizards, claro, sem modificar as regras em sua essência e tentar adaptar para ver como ficamos ?

Vamos “limpar” o Diabolic Grasp, já citado, para pegarmos apenas as regras do Power, lembrando que Warlocks ainda possuem um sub-tipo (infernal, dark …):

Striker Encounter Power

Com esse esqueleto temos um poder simplificado mas que quase poderia servir ao nosso paladino, se não fosse por dois detalhes: É um poder Arcane e usa Constituição e Inteligencia como atributos principais !

A substuição do Arcane é simples, todos poderes de Warlocks tem como source Arcane e os de Paladino, Holy  Então basta trocar o nosso Arcane por Holy e temos ai um poder Divino de Striker. Começa a ficar interessante!

Constituição pode facilmente ser trocada por Força e Inteligencia pelo atributo secundario do Paladino, que pode ser o Carisma

Basta ter em mente que o Warlock tem Subtipos, e equilibrá-los em Atributos diferentes não é nenhum Trabalho de Hércules, e pronto, você tem como criar o seu Paladino Striker.

Com isso temos o nosso novo poder, que vou espantosamente chamar de Divine Grasp:

Divine Grasp

Veja que eu criei um Justice Domain, para contra equilibrar o Infernal Pact. Serve como uma dica para quem quer manter as regras em sintonia com o resto, outros pactos podem usar a Wisdom, que também é um atributo importante do Paladino

Eu recomendo também, claro, usar a maioria das estatísticas de Warlock para criar seu Paladino Striker, Como bonus nas Defesas, Hitpoints e Healing Surges.

As Skills são especificas da classe, afinal Arcana não parece estar na lista de estudos do Paladino, portando o uso do bom senso é fundamental.

Por último as proficiencias. Essas são as mais dificeis de equilibrar, mas nada que se forçar a pegar um talento para justificar o uso de uma armadura pesada não resolva.

As Features eu deixo a cargo de vocês e do Mestre decidirem, Afinal um Striker com um Lay on Hands é incomum, mas a graça está ai. E a Warlock’s Curse poderia apenas se chamar Paladin Mark!

No final você vai ter uma classe praticamente tão equilibrada como as dos livros básico, porém com o sabor que você quiser dar para ela…

E que venham os Magos Defenders …

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Escrito por Fernando Barrocal (http://www.barrocal.com/cronicasecomicas)

É formado em Ciências da Computação e um assíduo consumidor de Ficção Fantástica e Científica, desde livros a séries de TV, filmes e RPG. Iniciando recentemente com um blog de crônicas e contos, tem se dedicado cada vez mais a escrever desde contos a artigos sobre diversos assuntos.

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7 Responses

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  1. FenrirX says

    Muito sagaz sua mistureba, mas isso é o que o sistema quer passar, tudo pode ser ajustado, conforme a preferência dos demais, tanto que os features são fáceis de ser misturados ou adaptados de outras classes e roles. Muito boa a observação e a adaptação do Paladin Striker.

    • DM Rafael says

      Eu joguei com um grupo que o pessoal apelidou o role do meu paladino como sendo Attacker. :)

  2. DM Rafael says

    É uma ideia interessante. Minha grande crítica ao D&D4 na época de seu lançamento é que ele não possibilitava esse tipo de rearanjo de poderes facilmente. As classes eram muito fechadas e dependentes de novos poderes de novos suplementos ou de novas classes para o seu build desejado.

    Na verdade, eu esperava algo mais como o Star Wars Saga ou o True d20, com classes mais genéricas e modulares. Mas aceitei a estrutura e entrei na brincadeira. No final das contas, o esquema de roles é bem interessante. Mas principalmente para o mestre, para planejar suas aventuras.

    Ao meu ver, essa edição pode ser considerada a mais master friendly de todas.

  3. @Allian42 says

    só não esqueça que o poder ser de longe, usando força ja é meio estranho. alem disso, o poder tem o dano de um striker. tem que levar em consideração que mesmo entre os striker alguns dão mais dano outros menos.

    • fbarrocal says

      Ahh sim, mas a idéia é que vc escolha um template e se atenha a ele … por exemplo o Infernal Warlock …

  4. @Allian42 says

    boa materia a proposito, engenharia reversa aplicada no rpg é o que há!

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